terça-feira, março 28, 2017

Fiz uma palestra no IFRR sobre produção cultural e ações literárias


Estive na manhã do dia 10 de março no Instituto Federal d Roraima (IFRR) para falar sobre produção cultural com alunos da disciplina Prática como componente curricular, ministrada pela professora do curso de Letras/Espanhol, Ray Rodrigues.

Apresentei aos estudantes um pouco do que andei fazendo na área com os amigos e parceiros que fizeram parte do Coletivo Caimbé nos últimos oito anos e repasse dicas metodológicas para realização de seus projetos. 

A conversa era de 40 minutos, mas ficou em cerca de 1h20... Falo bagarai, sobretudo na hora de dar respostas... :) :)

Por enquanto estou de férias do Coletivo, dedicado a umas paradas mais pessoais. Falei isso pra turma, mas também deixei a porta aberta para convites relacionados a ações como estas. Afinal, tentar repassar conhecimento faz parte de minhas metas de vida.





Acho que estava falando de minha altura...








Turma da disciplina Prática como componente curricular, ministrada pela professora do curso de Letras/Espanhol do IFRR, Ray Rodrigues.

terça-feira, março 21, 2017

Os 91 anos de minha avó, dona Maria José

 
Quatro gerações: dona Maria José, sua filha Gracineide, seu neto Edgar e seu bisneto Edgarzinho


Minha vó materna, dona Maria José Torreias Ferreira, completou 91 anos no último dia 15 de março. 

A matriarca da família Borges tem história pra contar.

Dona Maria foi um dos suportes fundamentais que tive em minha juventude, garantindo que pudesse estudar, comer e dormir com tranquilidade. 

Se não fosse ela, talvez nem morasse aqui, talvez não fosse jornalista, com certeza tudo teria bem diferente em minha vida.

A vó nasceu na beira do rio Uraricoera, descendente de um espanhol e uma filha de soldado da borracha que plantavam tabaco naquela região

Veio para Boa Vista ainda pequena, logo depois de ter ficado órfã. Cresceu ali na área central da cidade, numa casinha pertinho de onde fica a loja Brinquedos, na avenida João Pereira Melo, entre a Getúlio Vargas e a Sebastião Diniz. 

Dali descia para pegar água no rio Branco. Tempos diferentes, sem água encanada nem energia elétrica, muito menos botijão de gás para agilizar a preparação da comida

Dona Maria já me disse várias vezes, quando apareço com o papo dos tempos antigos: não sente nenhuma saudade da época do fogão à lenha.

Foi embora bem jovem do que hoje é Roraima e antes era Território Federal do Rio Branco. Acompanhava o marido, seu Edgar Borges Ferreira, que a conheceu logo após ele chegar do Pará. Pelo que me conta, do primeiro encontro ao casamento foi rápido, menos de um ano. 


Dona Maria José e seu Borges


Sobre como surgiu esse encantamento dos velhinhos, bati um papo uma vez com o seu Borges. Aqui tu confere a linda resposta que ele me deu.

Dona Maria morou na beira do rio Tocantins, voltou para o território, trabalhou como costureira a vida toda, em casa e ensinando em locais como a União Operária

Teve cinco filhos tidos e adotados, tomou conta de casa, sempre acordando cedo, dando bronca, aconselhando-nos todo dia, seus filhos, netos e bisnetos, a sermos bons para o mundo e a não olhar apenas para o nosso próprio umbigo.

Dona Maria e seu Borges, que faleceu há alguns anos, são os melhores avós que eu poderia ter escolhido para mim (se acaso tivesse esse poder). 

Este blogueiro, sua chupeta e dona Maria José

Boa parte da parte boa de meu caráter devo ao convívio com a dona Maria. Com ela e seu Borges aprendi na prática cotidiana o poder do amor familiar, da generosidade com os seus e do respeito aos outros.

De dona Maria só tenho uma reclamação: fuma desbragadamente. 

O vício vem da infância, quando acendia os cigarros para a minha bisavó. 

A gente aguenta e reclama sempre do cheiro de fumaça. Ela reclama que nunca vou comprar cigarros para ela. 

E assim vamos vivendo. Afinal, nem tudo são flores na relação avó e neto, né?

quinta-feira, março 16, 2017

Crônicas de viagem: passando o Carnaval 2017 na Gran Sabana



Fim de tarde na  Gran Sabana
Como adiantei na última postagem, depois de falar sobre minhas frustrações carnavalescas, chego agora com um relato da viagem que, juntamente com um grupo querido de amigos, fiz para a região da Gran Sabana, ali na Venezuela.


A ideia de não passar o Carnaval aqui em Boa Vista começou a germinar em janeiro. Talvez a única coisa que me parasse aqui na cidade fosse ir ver o Bloco do Mujica, na esperança de ter uma noite carnavalesca como a de 2016, quando a turma deu duas voltas na avenida e rolou uma chuva linda no começo da segunda, espantando um calor que durava semanas já.




Entretanto, as probabilidades da chuva rolar novamente justamente no show do Mujica eram bem pequenas. Melhor partir pro interior e fazer algo diferente, fiquei pensando.




A primeira ideia foi fazer uma jornada até as serras do Uirumutã, no extremo norte de Roraima, passando uns dias explorando as cachoeiras da região mais fria e alta do estado. Mas a estrada para lá é ruim que só, meu carro é pequeno e a conta familiar ia ser bem alta no final. 


Veio a intenção de ir para a serra do Tepequém, à esquerda da BR 174 sentido norte. Cachoeiras, natureza e um festival de jazz eram a pedida. Só que para ir lá o povo já fica ligado bem antes de janeiro. Resultado: todas as pousadas que procuramos (aqui já pensando com os amigos o que faríamos no carnaval) estavam cheios ou com os valores das diárias um pouco acima da altura da serra.





Ficou a Gran Sabana, na fronteira do Brasil com a Venezuela como opção carnavalesca. E que bom que ficou. Quando bateu a tarde de sábado de carnaval, atravessamos eu, Zanny e Edgarzinho uns 200 km de lavrado roraimense rumo à Serra de Pacaraima. No caminho, uma parada de praxe no Km 100 para comprar paçoca e esticar as pernas.



Paçoca na mão






Casinha da montanha
Lá, na casinha mais linda da montanha, já estavam Timóteo, Grazi e Liz esperando pela gente. No outro dia chegaram Filipe, Natasha e a pequena Isabela. 



Na segunda, trocamos nossos reais por bolívares (pegamos as novas cédulas em circulação e com isso diminuímos o volume nas carteiras) e abastecemos no posto de combustível que fica a uns 40 metros da fronteira do Brasil com a Venezuela (com a gasolina sendo vendida a R$ 1,50 o litro, acabaram as intermináveis filas que atrasavam a vida de todo mundo que ia visitar a Gran Sabana).


Amanhecer na rua da casinha da Montanha

Carros abastecidos e bolívares nas carteiras, atravessamos a cidade de Santa Elena de Uairén rumo ao acampamento de Manakachi, distante aproximadamente 180 km da fronteira. Tirando a perturbação do Edgarzinho, que a cada 100 metros perguntava se já estávamos chegando, tudo correu bem no percurso, que tem paisagens muito bonitas, inclusive a visão do Monte Roraima e outros tepuys no horizonte.

Troncal 10, a rodovia que corta a Gran Sabana



Manakachi estava lotado dos viajantes venezuelanos e alguns poucos brasileiros. O nível do rio estava um pouco mais baixo do que quando estivemos lá pela última vez, possibilitando explorar umas partes novas em seu leito de pedra e água bem gelada.

Aummmm....




Fazendo pilhas de pedras em Manakachi

 Quando chegou a noite, instalamos o que o guarda florestal chamou de “pequeno circo” e fizemos uma roda para rir e conversar sentindo frio (coisa rara em Boa Vista), além de beber cerveja e vinho comendo pão com linguiça e jogar “dica”. Tudo isso ouvindo as playlists que o Timóteo e o Filipe haviam baixado do Spotify.  A temperatura chegou aos 18 graus centígrados. Para quem vive num clima sempre acima dos 30º, isso é quase neve.







O circo: lâmpadas de led, churrasqueira e risadas



Lá pela meia-noite decidimos levantar acampamento e irmos para o hotel que fica na frente do trecho conhecido com Rápidos de Kamoirán. Como já havíamos feito a reserva de tarde, conseguimos descansar de boa nos quartos alugados e quentinhos (diária de 20 mil bolívares, equivalente a R$ 20, 00 no câmbio paralelo da fronteira).
 
As únicas coisas ruins do nosso quarto foram não ter tomada para carregar o celular e o chuveiro, que não tem água quente e é fraco demais para molhar rapidamente um corpo inteiro. Como eu não consigo encarar um dia sem tomar banho, a opção quando amanheceu foi entrar no rio, rezar para não congelar e gritar a cada mergulho.


Rápidos de Kamoirán


Depois do banho, tomamos café, abastecemos no posto na frente do hotel (botei uns 15 ou 20 litros e paguei algo como 150 ou 200 bolívares, equivalente, no máximo, a 20 centavos de real) e partimos para conhecer uma cachoeira citada por um conhecido que encontrei no hotel.


A entrada para a outra cachoeira, cujo nome não lembro, fica a uns 5 ou 10 km dos Rápidos de Kamoirán. Tem que sair da troncal 10 e percorrer uns 900 metros. A estradinha é tranquila até para carros baixos como o meu. 



Tomamos banho nela, brincamos um pouco e partimos para almoçar em Santa Elena, jantar em Pacaraima, dormir na casinha da montanha da família TimGraziLiz Camargo e, no outro dia, depois de comer panquecas, voltar para casa. 

Liz e Edgarzinho: panqueca com mel
  
Esse foi o carnaval de 2017. Uma delícia de dias passados em boa companhia, sentindo frio, comendo muito (minha barriga que o diga, rindo muito e fazendo planos para uma nova volta, lá por abril ou maio deste ano.


Se curtiu o relato, mas quer saber mais sobre essa viagem, deixa tua pergunta nos comentários. Sempre respondo.


Abraços viajantes.

sexta-feira, março 03, 2017

Sobre carnavais e minhas grandes frustrações

Gente, agora que passou o Carnaval e todo mundo saiu pra avenida, dançou, pulou e beijou muito, quero confessar uma das grandes frustrações de minha vida: nunca dei uns agarros em ninguém durante as festas de Momo. Sou um BV, o Boca Virgem das folias. 

(Um minuto para relerem o texto e pensarem:
A) Em que planeta ele passou os carnavais?
B) Isso lá é motivo para ficar frustrado?
C) Como alguém consegue ser tão devagar?
D) Problema dele. No meu caso, nunca deixei de dar uns beijos e afins nas festas de Momo…)



Voltando à programação normal:
Até o ET ganhou beijinho nos carna da vida...


Há pessoas que se frustram por nunca ter escalado o Monte Everest. Para mim, a boca virgem de carnaval é mais decepcionante que isso. Entretanto, é bem menos do que ainda não ter feito um mestrado ou conquistado o mundo.

Tá. Cê deve estar  pensando: ah, é tudo mentira, textinho caô para fazer a gente rir e pensar em quantas bocas beijamos no último carnaval.

Não é não, gente que passeia vez ou outra aqui no Crônicas da Fronteira. Nunca peguei ninguém mesmo, apesar de uma vez quase chegar lá. Foi com uma morena cabelos cacheados e dos pernões que havia conhecido justamente um carnaval antes, durante uma cobertura jornalística para a prefeitura de Boa Vista.

Nem lembro como fiquei em contato com ela durante o ano. Só sei que quando chegou o novo carnaval, nos tropeçamos na avenida, rolou um clima do tipo ela passando a dica“se tu encostar, te beijo agora”, mas o Zé Tonto aqui ficou inventando de querer conversar sem ter assunto. A menina ficou meio assim, disse que tinha de ir ali e nunca mais voltou…

Eu sinceramente acho que o caso de nunca ter beijado durante a folia deve elevar muito meus pontos na índice de pessoas meio inúteis…

A meu favor, como consolo nas noites passadas em branco pensando nisso, tenho  alguns fatores atenuantes, cientificamente baseados na matemática. Vejam aí:

Para quem não sabe, tenho 40 anos (indo para 41 no dia 4 de junho de 2017 - fica a dica para enviarem os presentes antes).

Desses 40, vamos tirar uns 13, referentes à infância e pré-adolescência.

A esses 13 dos tempos de criança inocente, acrescenta uns 18 sempre estando de relação estável justamente no Carnaval.

Assim, sobram apenas nove de leseira... Ou seja, nem é tanto assim para ficar fazendo textão, né? Nem vale a pensar em frustração então… Quer dizer, vale como tema de conversa nas rodas de amigos que já beijaram demais da conta. Assim serei o diferentão da turma...

Enfim, mesmo sendo BV no carnaval, quase sempre dei um jeito de aproveitar o feridão da festa.  Neste último, por exemplo, embarquei numa viagem para a Gran Sabana, na Venezuela, e curtiu alguns dias de cachoeira e frio por lá.

Semana que vem escreverei sobre isso. Até lá, seus beijoqueiros.