quarta-feira, fevereiro 08, 2017

Trovões ecoando no quarto


Rostos sem nome e história surgindo de repente no meio da tempestade, engolindo a calma do domingo... Lá fora o vento está bom, frio, parece que vai chover, espantando assim o calor do dia. Aqui, os raios tomam conta do ambiente e não há voz nem paz, apenas trovejantes mágoas.

Há horas para tudo, mas sempre há alguém acreditando que devem ser exclusivas de sua autorização, de sua licença para existir e para permitir viver. Que te faltem horas de vida se não forem para mim, diz o cartaz colado no muro que se ergue rapidamente onde 30 minutos só havia serena pradaria.

A estupefação, a incredulidade, a desconfiança, a mágoa, o rancor, a raiva, a indiferença, a vontade de sumir, a certeza do ódio, sangue nos olhos, fogo nas palavras, dardos lançados para ferir e matar, desabafos, faltas marcadas, ausências cobradas, o escancaramento sobre a fragilidade do amor próprio e das vontades de receber amor de outra pessoa... O papel não segura tanto peso sem rasgar e há lágrimas molhando o chão já sujo de uma tediosa melancolia...

As acusações respingam nas paredes, mas não encontram provas que as deixem suspensas no ar, à vista, seguras, firmes, prováveis... Suspiros de impaciência e vontades de sumir... Provas frágeis, suposições estapafúrdias, conexões ilógicas postas como certezas sublimes, como santos graais iluminando a escuridão... Fantasmas sem casas para assombrar, demônios de infernos alugados para o verão...

Cheiros que não existem, bocas que não surgem, amores nunca pensados, camas nunca habitadas, hálitos que não foram fumados e bitucas perdidas que agora tem dono... A noite parece parar enquanto alguém do outro lado da porta pensa em recortar um coração e mandá-lo de lembrança aos amigos.

Golpes baixos falando sobre baixos desejos, ignorando que deveriam ser mútuas as vontades, mas há vontades que caminham em mão única e nem sempre encontram abrigos para proteger-se, passar a noite, alegrar a vida, encantar o cotidiano com a quebra da rotina, sustentar a semana com novas histórias e o fim de antigos choros.

Ranços novos surgindo, ampliando antigas manias de segurança que afetam o conjunto. O dedo em riste, apontado para o passado, o presente, o futuro e a cara do outro, que está, com certeza, dirão alguns, a sustentar as mesmas mentiras de sempre.

O cansaço de sempre, o silêncio de sempre, os perdões de sempre... E lá vai a história da noite repetir-se logo, logo, logo...

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