quinta-feira, janeiro 31, 2013

terça-feira, janeiro 29, 2013

Série Curt@s Histórias e Poesias #1



Fotopoema da série  Curt@s Histórias e Poesias, produzida em 2011 e apresentada em formato de banner em diversos lugares de Roraima.
Os microcontos fazem parte do livro Sem Grandes Delongas.

Texto: Edgar Borges
Arte: Zanny Adairalba
Foto: Zanny Adairalba

segunda-feira, janeiro 21, 2013

Sobre dias não tão bons


Foto: Edgar Borges
Sabe? Há dias em que o tempo custa a ficar bom. 

E não estou falando da noite cair e levar para outra lugar esse sol que insiste em queimar até a minha alma. Falo assim condensando todas as metáforas da vida para as horas em que tudo parece correr mal, em que tudo é mau...


Me vejo no espelho, lembrança de ontem. Mesmo com tudo querendo, não caio. O chão é duro e as pedras machucam, prefiro sofrer em pé, buscando na relatividade o consolo: sempre haverá alguém em situação pior. Ou então: poderia ser pior, então para que reclamar tanto, para que sentir-se tão mal, para que desistir, mesmo que o futuro seja a morte?


É um pessimismo com uma boa dose de esperança, acho. Mas posso me enganar e tentar te enganar, pois acho mais que a desesperança é a última que morre, logo depois de pegar a esperança pelos cabelos e, rindo, afogá-la numa poça de lama na rua mais distante da cidade.


Sim, isso pode ser meio tenebroso, meio “ui, o que aconteceu de ruim?”, mas é necessário mesmo algo acontecer para acreditar na falta de algo bom vindo pelo caminho? Ou a lógica do “seremos felizes pois somos bons e trabalhamos” é o que conta, mesmo quando não se conta nos dedos algo de bom?


Não, não estou bêbado nem penso em atirar em minha cabeça. Depressão é para os ricos, eles podem pagar os médicos, os remédios, o tratamento completo e fazer sua rehab em paz. Eu escrevo e sai bem mais barato. Não resolve nada, é vero, mas se é para contar a alguém o que sinto, que seja ao silencioso papel, esse que aceita tudo o que lhe dão...
 

Sabe? Há dias de tanto calor e tanta poeira nas ruas que o futuro parece ser uma redação borrada pela chuva que ainda não caída.

quarta-feira, janeiro 16, 2013

Malalma: Un Corazón

Serei breve, pois fujo agora mentalmente de meu trabalho para compartilhar aqui o som dos colombianos do Malalma, descobertos na trilha sonora do filme El
Arriero, visto por acaso numa dessas zapeadas sem esperanças na tv paga. 

Un Corazón não faz parte da trilha, mas ela e outras coisas boas podem ser ouvidas também no perfil do Malalma no Soundcloud.

Para fechar: é das músicas que gostaria de ter feito, se acaso fosse músico:





quinta-feira, janeiro 10, 2013

Cinco anos de história com Edgarzin

Quantos anos você tem? 


 O moleque apareceu há cinco anos, às 13h55. Lembro bem da hora pois era exatamente o momento em que deixava o meu apartamento para ir ao segundo trabalho da época. Cinco minutos para as 14h e ainda chegava cedo.

O guri chegou depois do almoço, mas a bolsa estourou pelo menos umas doze horas antes. A mãe dele acordou, fez um vídeo com a máquina fotográfica contando que a bolsa havia estourado, bebeu água, foi me acordar e quando estava levantando, fazendo uma flexão de braço, me avisou:

- Pode ficar dormindo mais um pouco. Acho que ainda vai demorar.


Voltei do meio da flexão. O vídeo mostra isso. A preguiça e a calma tomando conta dos pais. Lá pelas 3 da madrugada ligamos para o médico, explicamos como estava a situação e nos mandou ir para o hospital às seis. Chegamos às sete, depois de passar no mercado São Francisco para comer alguma coisa.

- Vou comer, sim. Depois que entrar lá vão deixar sem alimento e ninguém sabe que horas o bebê vai nascer, previu a mamãe.

Lembro que meus pais já estavam no hospital quando chegamos, naquela aflição do primeiro neto, resultado do único filho. O velho Juca ficou o tempo todo do lado de fora e só entrou depois que confirmaram que o menino estava vivo, bem e no berço. Um avô covarde a gente descobre assim...

Resumidamente, foi assim que rolou, exatamente numa quinta como hoje, a quinta dos cinco anos.

Muita água já passou por debaixo da ponte dos Macuxis, muita chuva já molhou o quintal. O menino é bom, bate palma pra ele, como se canta na roda de capoeira.


Primeiros dias

Tem um humor próprio: há dias em que já abre os olhos sorrindo-me, noutros não me quer, só à mãe, noutros já acorda perguntando onde estou. Sorri por nada como se o mundo dependesse disso e fica de cara feia na mesma rapidez. É capaz de largar a comida que passou horas pedindo para ficar desenhando no computador de onde vai, literalmente, expulsar a mãe pois o seu desenho é muito importante, é seu trabalho e não é legal que o atrapalhemos.

Fiz-lhe um blog no wordpress que alimentei durante a gravidez e nos primeiros meses de nascido. Depois o transformei em dois marcadores das Crônicas da Fronteira (Edgar Bisneto e Paternidade). Mais homenagem que isso só se dedicar-lhe o próximo livro de contos que teimo em tentar escrever.

 Gasto com ele mais do que gastei comigo a vida toda e alimento a piada:

- Se um dia ele me dizer 'tu nunca fez nada por mim ou tudo o que tenho foi fruto de meu trabalho', jogo-lhe na cara as faturas da escola, plano de saúde e afins.

Nossa relação é bipolar: tem dias em que ele só quer estar perto de mim e eu quero paz, noutros sou eu que busco sua atenção e ele só me responde com 'uhus' e 'espera, pai, espera'.

Adoro quando começamos a discutir conceitos sobre animais, dinossauros, universo e outras coisas que ele vê na TV ou estudou na escola. Adoro mais quando lhe pergunto “tem certeza” e ele me olha, vira para a esquerda e diz “tenho”. O meu pequeno homem, cheio de energia para fazer o seu mundo.

Adoro ser pai desse moleque. É meu grande amor e não tenho nenhuma vontade de dividir este sentimento com outros filhos. Um é bom e suficiente, ainda mais em um mundo no qual faltará água em breve.

Meu lado racional nessa relação é dominante: não fantasio um mundo perfeito com ele. Seu nascimento me trouxe perrengues a gerenciar todos os dias e a sensação de que sempre será uma corrente de responsabilidade a não me deixar voar arbitrariamente por aí. Dito de outra forma: ser pai me traz tanta alegria quanto limitações. E eu odeio tudo o que me limita (menos ele, fique claro).

Para fechar, que hoje tem bolo e adoro bolo, repito: adoro ser pai desse indiozinho e descobrir o mundo com ele.

terça-feira, janeiro 08, 2013

Pensando alto sobre as redes que embaralham 2013

8.036 tweets...

É esse o número que acumulo neste começo de ano no meu perfil no Twitter. Se tudo é meu, se tudo é autoral? Não. Não tenho tanto a escrever. Tem muito replique, muito comentário sobre as bobagens ou coisas legais que os outros escrevem, muita citação de música.

São 17h35 no relógio do computador e 17h29 no celular. De toda forma é quase hora de ir embora. 

E o Facebook, o que tenho lá? Complicado dizer, mal consigo achar (aliás, não consigo achar) os links que curti ontem para visitar hoje...

Essas redes sociais são complicadas. Me tiram a atenção. Contribuíram para que deixasse largado o meu querido blog...pensando bem, sou do tempo em que rede social era a que se deixava na varanda para servir às visitas...

2013 já vai para o nono dia, no décimo Edgarzin completa cinco anos e eu ainda não fiz um inventário sobre o bom e o ruim de 2012. Talvez não faça, talvez tudo se resuma em dizer "sobrevivi". 

Não há planos consolidados, não há fantasias, não há nada. O que será, será ao acaso? 

(Se multiplicar 8.036 tweet por 140 caracteres cada, resulta em 1.125.040 caractares. Mais de um milhão mesmo que nem todos estivessem no máximo. Daria um livro)

Não há poesia em ficar preso ao vício cibernético. Há submissão mental. Esse é a base das redes sociais...mas quem disse que a submissão não é gostosa?

2013 já embalou. Farei um livro? Um livro de que? Poesia? Prosa? Até quando? Preciso dos prazos, preciso ser poupado de prazos, preciso, preciso, preciso. 

Viver não é preciso, sentenciou Pessoa há décadas. Ainda há quem confunda com 'viver não é necessário'. 

No webplayer rola Bob Marley dizendo "my feet is my only carriage". 

A hora da fisioterapia se aproxima e devo entrar em minha carriage e ir até o consultório esticar para a esquerda, esticar para a direita.

Mais uma consulta ao twitter, uma checada no Facebook (acho estranho as pessoas falarem apenas "Face", estranha mania de cortar o nome de tudo pelo meio) e o tempo voou. 

Não há 2013 que sobreviva a tanto desfocamento. É hora de fazer algo radical, do tipo passar um dia sem checar as redes sociais...mas e o perfil do trabalho, como ficará? Malditas redes e sua atração fatal...