domingo, março 13, 2011

Dia Nacional da Poesia 2011 – Uma festa ao ar livre

 (Publicado originalmente no blog do Coletivo Arteliteratura Caimbé)

E mais uma vez fomos às ruas de Boa Vista para comemorar o Dia Nacional da Poesia.

Esta foi a III edição do evento “Poesia na Praça”, uma iniciativa do Coletivo Arteliteratura Caimbé. Optamos por realizá-la na avenida Jaime Brasil, centro comercial de Boa Vista - RR, para presentear os transeuntes com muita poesia e música.
O evento começou às 9h com duas exposições fotográficas: uma do Fotoclube Roraima e outra de poemas e imagens produzidas pelo Coletivo Caimbé, além de um varal de poesias que chamou a atenção de quem passava pelo local.
As pessoas foram se aproximando e logo tínhamos um bom número de amantes da literatura brasileira, reunidos numa grande festa poética.
O evento contou ainda com a participação de vários artistas locais que abrilhantaram ainda mais o momento. O poeta gaúcho Eroquês Gaudério e sua linda filha Giovana Krystine, de apenas 8 anos, encantaram os espectadores com a sua performance.
Também estiveram presentes Daniel Moraes, que variou entre declamações próprias e de poetas como Fernando Pessoa; a atriz Vera Vieira, que com muita simpatia, recitou textos de autores nacionais e locais; o diretor de Cultura do Sesc- RR, Chico Pinheiro; o cantor e compositor Marcos Terra; e o diretor teatral Márcio Sergino, entre outros conhecidos.
Apesar da ameaça de chuvas, que haviam sido muito fortes na sexta-feira, o sábado foi agradavelmente nublado e frio, sem nenhuma gota para nos atrapalhar.
O encerramento do III Poesia na Praça ficou por conta do cantor de reggae Mike Guy-bras. Nos últimos acordes de sua apresentação São Pedro decidiu molhar a Jaime Brasil, provocando aquela correria de retirada de material e proteção de equipamentos. Ainda bem que foi apenas um chuvisco leve, bem leve.
A proposta de levar poesia a lugares públicos teve mais uma vez bons resultados. As declamações, a comercialização de obras literárias e a satisfação estampada nos olhares atentos dos espectadores provam que este tipo de ação é muito bem recebida pela comunidade.
Agradecemos o apoio da Fetec, do Sesc-RR e do Fotoclube Roraima em mais esta intervenção cultural.

Se tiver curiosidade, veja nestes links como foram as comemorações do Dia Nacional da Poesia em 2010 e em 2009.

Aproveite as fotos feitas por Edgar Borges, Zanny Adairalba e Chico Pinheiro: 

Poeta Eroquês Gaudério



Atriz Vera Viera
Zanny Adairalba divulgando o evento
Declamações
Varal de fotografias e fotopoemas
Tana Halú declamando
É na infância que a gente começa a gostar de poesia

DJ Paul declamando
Chico Pinheiro lendo um cordel de Zanny Adairalba
Responda a pergunta de Edgar Borges
Daniel Moraes
Declamadora que fugiu do trabalho para recitar seu poema
Érica Figueredo, da TV Globo local
Giovana Krystine recitando poemas de seu pai, Eroquês Gaudério


Zanny Adairalba e Mike Guy-bras
Alexia Linke
Cordéis de Zanny Adairalba
Zanny Adairalba, Edgar Borges e Tana Halú

quinta-feira, março 10, 2011

Liminar

Vamos, vamos, vamos
O tempo é curto e a distância é a longa.
Movimentem-se, movimentem-se
Já chegam e podem irritar-se
Que não nos vejam aqui.
Ninguém nos autorizou, lembrem-se.
Eles quem sabe o fizessem,
Mas hoje não será o nosso dia.
Adiem essa permanência, digam adeus,
Desconfortável adeus.
Os donos estão vindo e as nossas terras
Não são mais as que eram ontem.
Ficamos assim, ao alcance de suas decisões,
De suas mãos pesadas, de suas botas, de seu riso de escárnio.
Movimentem-se, vamos, vamos.
Ficar? Tem certeza?
Não, melhor não.
Estas terras não são mais nossas,
Seus donos alegam retorno, estorno, estorvo.
Somos estorvo, ocupantes impróprios
Nada para se preocupar.
Como disse, é melhor ir, é melhor.
Lá chegam à vista as primeiras botas raivosas
Desocupando o que estava bem ocupado.
Somos lembranças, somos passado.
O futuro a outros pretence.
A terra, como disse alguém,
A outros, justos ou não, pertence
E deles será a herança.
A nós?
Sem casa, sem caminho, sem nada
Que reste um pouco de resto, desocupação, invasão, fuga.
A nós, tomara, que sobre um pedaço de esperança
Em outra margem, em outro ponto distante.

(Poema premiado, conforme podes ler aqui)