quinta-feira, outubro 30, 2008

Querido diário,

Terça vi o meu segundo show do Paralamas do Sucesso. O primeiro foi em Floripa, há alguns anos, no CIC. O de agora foi no parque Anauá. Muita gente, mas nem todos buscando desfrutar do som do Herbert, Barone e Bi. Estavam esperando os sorteios que o Governo do Estado, promotor da festa (graças aos impostos que pago) por conta do Dia do Servidor, estava fazendo.
Aliás, quem pagou a inscrição no concurso público, estudou, fez a prova e entrou com recurso para garantir a sua vaga no serviço público ficou curioso com o sorteio. Foram chamados mais funcionários das empresas terceirizadas que do próprio governo. Eu mesmo não sabia que empregado de empresa que presta serviço podia entrar no bolo.
O show foi muito bom, de uma hora e pouco. O problema veio depois. Ao chegar em casa, lá pela uma da manhã, e preparar-nos para dormir, o indiozinho resolveu acordar, muito bem disposto, e quis atormentar- brincar comigo. Se não fosse a ação rápida e eficiente da Swat, quer dizer, da mamãe dele, o resultado teria ruim para este cronista.
Daí, no outro dia, nada como dois copos de capuccino para segurar a onda de calor que está parada em Boa Vista há algum tempo. No fim da tarde, antes de ir para o Atual Empreendedor, resolvo fazer o que há meses não fazia: tomar um copo de guaraná. Os caras se excederam e fizeram dois pelo preço de um. Resultado: nada de sono ou cansaço até meia-noite, quando caí. O lance é que lá pelas 3 e pouco comecei a acordar e lá pelas 4, quando olhei o relógio, percebi que a cafeína finalmente havia surtido efeito. Assim sendo, das 7 da manhã de sábado até o momento em que faço esta postagem (o horário tá lá no título), novamente no Atual Empreendedor, só dormi 150 minutos
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E vamo que vamo, querido diário, pois “o comandante da Polícia Militar do estado de Roraima, coronel Márcio Santiago de Morais, 49 anos, foi detido na noite desta quarta-feira (29/10) após protagonizar uma confusão que terminou em agressão, no shopping Pátio Brasil, no Setor Comercial Sul”, conforme diz a matéria do Correio Braziliense. O cara não gostou quando reclamaram dele mijando em público. Pô, aqui em Boa Vista ninguém faz isso, só para evitar que alguém pense que reina la mala educación.

terça-feira, outubro 21, 2008

Aparência


- Você mudou...


- Como assim?


- Você não é mais como era antes.


- Não tô te entendendo...


- Aquele teu espírito revolucionário, aquela vontade de mudar o mundo, saca? Onde ficouaquela garra toda?

- Ficou na outra calça, que já está sendo lavada.


- Antigamente você não era tão materialista, era mais pelo social e tal...


- Hum...


- O que te aconteceu?!

- Sou uma vítima do mundo capitalista selvagem.


- Que história é essa de mundo selvagem?


- Quer provar?


- Ah?


- Quer ou não?



Ilustração: Rayma , direto da Venezuela, pais do socialismo chavista

quinta-feira, outubro 16, 2008

Vamos embora II (ou Do que se abdica quando se tem um molequinho)

Eduardo Bueno chega em Boa Vista trazido pela Fundação Banco do Brasil, que agendou uma palestra dele nas Faculdades Cathedral, pertinho de casa. Sou fã do cara desde meados dos anos 1990, quando li suas obras de história, muito antes dele ir parar no Fantástico. Vamos nessa então eu, a mamãe do indiozinho e o próprio pemoncito, doidos para ouvir o cara.


Uns minutinhos de atraso, vai logo que já começou, não tem problema com cadeira pois será no auditório com mais de mil lugares, chegamos, vejo alguém e penso: o que aquele escritor está fazendo do lado de fora, hum, isso cheira a palestra chata ou que ainda não começou.


Um guarda avisa que a palestra mudou de lugar e será na videoteca, biblioteca, sei lá, interessa que é uma saleta. Pela janelinha de vidro na porta, a visão de muitas pessoas em pé. Um rapaz sai e explica para o trio pemônico e a outras quatro pessoas que a organização decidiu mudar o encontro de lugar pois não tinham certeza se ia dar público.


- Quer dizer que vocês não confiaram no próprio evento?, manda um dos rapazes do quarteto.

- Não, veja bem, é que a gente não tinha certeza de que ia dar público suficiente, responde o rapaz da organização.

- Ou seja, não confiaram no próprio evento, diz este cronista.

- Mas tudo bem, vocês entrar e ficar em pé sem problema. Tem vaga aí, convida, sorridente, o rapaz da organização.

Olho para ele, penso em como era bom quando podia sentar no chão sem me importar com ninguém mais, olho para o neném e para sua mamãe, penso no desconforto dela, e decido: vamos embora. Evento no qual os próprios organizadores não tem confiança não vale a pena ficar, mesmo prometendo ser bom.

segunda-feira, outubro 13, 2008

Vamos embora (ou Do que se abdica quando se tem um molequinho)

É noite de domingo, o grupo é de fora e o espetáculo fala de um ensaio e tal. O teatro do Sesc Mecejana tem muitos lugares, mas para criar uma atmosfera intimista, vai todo mundo para cima do palco, ficar bem pertinho dos atores. A peça começa e a família Pemón chega um pouco atrasada, já que parou para comprar os alimentos não perecíveis que serão entregues a título de ingresso.


Por um cálculo errado da organização, poucas cadeiras foram colocadas no palco, aparentemente menos de 30, e agora só há espaço nas cadeiras da platéia, abaixo do nível do cenário e com os outros espectadores à frente. Ou seja, não tem mais vaga para três e meio retardatários.


Digo para ir embora e a mamãe do indiozinho demora. Saio e os atores que estão na porta, preparando-se para entrar em uma nova cena, me dizem: senta no chão. Eu até sento, mas não vou deixar a mãe de meu filho ficar no chão, incomodada, a peça toda, respondo. Desculpa, a gente não sabia, diz a menina.


Tudo isso acontecendo e nada da mamãe do indiozinho deixar o recinto. E olha que estava pertinho da saída. Aí, eles entram gritando e batendo com muita força a porta, conforme previsto no roteiro. Resultado: o neném se assusta com o ruído e abre o berreiro, chorando como quem pegou uma lapada de galho de goiabeira. Então, finalmente, mamãe sai, assustada com a reação do bebê. Eu a olho, penso e falo baixinho: bem que eu falei antes para sair e irmos embora.

sexta-feira, outubro 10, 2008

Verdade absoluta


(foto: Luciene Henrique dos Santos)


(Foto: Rute)

(foto: Nuno Moedas)



Onde há tentação pode haver pecado e onde há pecado houve tentação...



(todas as fotos são do Olhares)



terça-feira, outubro 07, 2008

Campanha



Viveu um amor de eleição. Em outubro, perdeu o voto e a paixão.


segunda-feira, outubro 06, 2008

Das eleições


Boa Vista reelegeu o prefeito Iradilson Sampaio (PSB) com 54,35% dos votos válidos, ou 66.998 votantes.

Luciano Castro (PR) ficou em segundo, com 51.329 votos (41,64%).

José Luís Oca (PSOL) recebeu 3.029 votos (2,46%).

1.921 (1,56%) pessoas votaram em Ariomar Farias (PCO).


O colégio eleitoral de Boa Vista é de 159.075 pessoas. É o maior do Estado de Roraima.


Foram reeleitos Alfonso Rodrigues, Lurdinha Pinheiro, George Melo, Masamy Eda, Telmário Mota, Sebastião Neto (Pelé) e Braz Behnck.


Entraram Manoel Neves, Maurcélio Melo, Chico Doido (o mais votado, com 3.360 votos), Joziel Vanderlei, Paulo Linhares, Pastor Rosival e Idinaldo "Dunga" da Silva ( o menos votado dos que entraram, com 1.231 eleitores).


Vão cair fora da Câmara o atual presidente Marcello Vieira, a vice-presidente Iracema Araldi, o primeiro secretário Osmar Sampaio e o segundo secretário Rogério Trajano. Também perderam a vaga Francisca Pleneilda e Paulinho Marchioro.

quinta-feira, outubro 02, 2008

O tempo passa e Roraima completa 20 anos



Quando vim morar em Roraima, o Estado ainda esperava o 5 de outubro chegar para completar quatro anos de criação. Do quente fevereiro de 1991 até o também quente outubro de 2008, muitas coisas aconteceram em minha vida e na história desta parte do Brasil.


Na minha chegada, o prefeito era Barac Bento. Lembro de um mapa confeccionado em sua gestão, nas cores verde e amarelo predominando, com as fotos ou nomes dos vereadores e os poucos bairros da época. Conjunto Cidadão, Cidade Satélite, Raiar do Sol, Parque Caçari e algumas outras partes da cidade ainda não existiam.


Lembro da campanha da sucessão na prefeitura, tendo Salomão Cruz e Teresa Jucá, entre outros como candidatos. Teresa levou. Depois veio Ottomar Pinto, que era o governador no ano em que cheguei e havia eleito o atual deputado federal Neudo Campos seu sucessor. Aprovada a reeleição, Fernando Henrique Cardoso engatava um segundo governo, assim como Campos, que rachou com Ottomar, que perdeu a campanha para Teresa, que depois se reelegeu deixando em segundo lugar o à época ex-governador Neudo. Na seqüência veio Iradilson Sampaio, vice por duas vezes de Teresa e disputando domingo a reeleição.



Parque Anauá e o seu lago urbano, em frente à avenida Brigadeiro Eduardo Gomes: caminho feito por vários anos a caminho da UFRR e agora da Atual. (foto: Antônio Diniz)



Outros momentos importantes da vida política foram o impeachment do governador Flamarion Portela, a volta de Ottomar à governadoria, sua reeleição e a morte em novembro passado (no mesmo dia marcado para o chá de bebê de meu filho), a vitória e reeleição de Lula, cassações de vereadores, deputados e prefeitos, criação dos municípios de Pacaraima, Bonfim, Normandia, Uiramutã (entre os que me lembro) e recorrentes operações da Polícia Federal para tentar acabar com esquemas de corrupção envolvendo representantes do poder público e seus amigos/familiares empresários.


Tudo isso acontecendo e eu estudando. Primeiro fechando o primário na escola Vitória Mota Cruz, depois indo para médio no Gonçalves Dias, sendo aprovado no vestibular de jornalismo na UFRR, para onde voltei em 2001 ou 2002 para cursar sociologia paralelamente a uma pós-graduação. No meio de tudo isso, trabalhei como office-boy, prestei serviços ao Sesc, fui redator de jornal, passei pela assessoria de comunicação da prefeitura e vim parar na UERR, instituição que não existia em 1991, assim como a Univirr e as faculdades particulares Cathedral e Atual (onde sou professor), entre outras.


O mundo, seja na ótica local ou mundial, mudou muito nesse período. A internet explodiu, assim como as bolsas de valores o fizeram várias vezes. Veio o 11 de Setembro, a invasão do Iraque e do Afeganistão, as eleições de Hugo Chávez, Evo Morales e Vladimir Putin.


Apareceram vários canais de TV na cidade, muitas pessoas ficaram ricas de uma hora para outra, a população aumentou, as agressões à natureza idem. Amigos e amores chegaram e se foram. Bandas de rock nasceram e sumiram, modismos também.


Em 17 anos muita gente próxima apareceu e foi embora. Nasceram muitos priminhos e sobrinhos postiços deram a cara as minhas afilhadas Sângela e Beatriz, um policial militar matou meu primo Sandro e desconhecidos assassinaram o primo Janderson. Nesse percurso, apareceu a figura mais importante de minha vida: um indiozinho a quem tenho o prazer de chamar de filho.


Não sei como estará Roraima quando ele completar 17 anos. Não sei se estarei vivo para contar-lhe como era Boa Vista quando cheguei e quando ele nasceu. Só sei que tento dar a minha colaboração para que não fique pior do que já está, com gangues juvenis demarcando espaços na periferia, igarapés sendo mortos, miseráveis invadindo as ruas e pessoas desonestas enriquecendo às custas dos impostos que pago.