segunda-feira, setembro 29, 2008

10 coisas que detesto + bônus track


  1. A voz depressiva da Adriana Calcanhoto.
  2. O pseudo-intelectualismo-reflexivo e o vocal depressivo da banda Los Hermanos.
  3. O calor de Boa Vista.
  4. Alguém fazendo muitas ou poucas perguntas sobre mim.
  5. Gente arrogante.
  6. Ligação de atendentes do telemarketing.
  7. A linha editorial de algumas revistas que não questionam o lado ruim do sistema econômico predominante.
  8. A programação das TVs abertas domingo à tarde.
  9. Gente bêbada que cospe enquanto fala.
  10. Cheiro de cigarro.
  11. Trabalhar muito e ganhar pouco (ou a disparidade entre o custo da vida e o que entra na conta no final do mês).
  12. O calor.
  13. Ser ignorado quando dou atenção.
  14. Minha timidez.
  15. Pressão política, amorosa ou pessoal.
  16. Forró elétrico, calipso e rock metal.


segunda-feira, setembro 22, 2008

Poesia alheia



Texto dum paranaense louco, que veio a Roraima em busca de dias melhores, mas decidiu reencarar a vida no sul maravilha, levando na bagagem uma carioca e uma macuxizinha. Aliás, decidiu ir para a Ilha da Magia, também conhecida como a Terra dos Manezinhos.

Por sinal, mesmo lugar para onde voltou minha grande amiga Carlotinha Cavalheiro depois que decidiu economizar na conta do protetor solar.


Pouco me lixando



meu verso é lixo


e recolho pelo chão da sala


pelo piso da cozinha, atrás dos móveis


por debaixo dos tapetes


em meio a restos de tão pouco


montanhas e mais montanhas de ainda menos


nas prateleiras não há nada, leve o quanto quiser.


minha rua é um deserto


a vizinhança é o meu peito aberto


cravado de balas e migalhas de biscoito


estou sempre convidado a beber meu chá das oito


que às cinco é outra droga, algum esterco tipo oriental


e das seis às sete pratico yôga e me perco no quintal.


eu sou meu próprio eco, meu reflexo no espelho


é quando a deus mais me assemelho


eu sou meu lar


doce e amargo endereço, qualquer lugar


sou eu mesmo a qualquer preço


respiro meu próprio ar


eu sou meus versos, sou todos os meus lados


meus passados passos reciclados


-prazer, me chamam rodrigo!


eu sou tudo que trago comigo


e não descarto por puro romantismo.


sou mesmo isso


sou meu mais nobre e repugnante monte de lixo.




rodrigo mebs (em versão orkut)


sexta-feira, setembro 19, 2008

Ardem as nuvens


De tão quente, os anjos deixaram o céu

e estão tomando banho no rio Cauamé.


(foto:Tiago Orihuela)


quarta-feira, setembro 17, 2008

Roraima Blues


A revista on-line portuguesa Minguante leu, analisou, gostou e publicou uma série de micronarrativas de minha autoria, transformando-as em um e-book chamado Roraima Blues.




Convido você a acessar e ler. Depois, se odiou ou gostou, não fique em silêncio. Volte ao blog e faça um comentário positivo ou depreciativo, tanto faz. O importante é participar.

E aí, se você ficou afins de participar da Minguante, produz tuas micronarrativas e manda para o Luis Ene dar uma olhada e ver se te coloca na próxima edição.



Essa aqui é a apresentação


Para ler o e-book, clica aqui, ô.



Para ler a edição da Minguante, é aqui.

sexta-feira, setembro 05, 2008

Ego

O fato é velho, coisa de três ou quatro semanas. Trata de uma ação de trabalho deste cronista educador. Rendeu a nota abaixo reproduzida, inicialmente publicada no site da Faculdade onde trampo à noite e numa coluna veiculada semanalmente em dois jornais locais. Como tudo neste blog, não tem nenhuma relevância para a humanidade, mas é bacaninha, pois me ajuda a lembrar depois o que andei fazendo da vida.


Acadêmicos distribuem nova edição do Jornal União Informa

Acadêmicos de Jornalismo da Faculdade Atual da Amazônia começaram a entregar essa semana mais uma edição do Jornal União Informa. O mutirão entre os acadêmicos do 3 ° semestre, atingiu além da própria comunidade da instituição, os principais pontos do bairro União, desde escolas, pontos comerciais e moradores.

A distribuição do jornal integra o processo de produção do produto, já que é na entrega que os estudantes têm a resposta direta do público leitor. Conforme a aluna de jornalismo, Elaine Tavares, o União Informa está sendo uma oportunidade para preparar e qualificar os aluns para o mercado de trabalho. "Considero um momento fundamental de aperfeiçoamento e uma rica experiência que o acadêmico possui de praticar o jornalismo com a permissão de errar estando mais capacitado para atuar na área jornalística", frisou.


Misturados na foto, alunos do antigo e do atual terceiro semestre.

Para ser mais exato, meninas do antigo e meninos do atual. Atenção ao chifre no Anderson, de camiseta azul.



A principal manchete da sexta edição: Cabelos de Prata: A força da terceira idade introduz uma reportagem especial, sobre 200 idosos que participam de segunda a quinta-feira de atividades esportivas e culturais no centro de múltiplo uso do bairro União. A iniciativa é aberta a todas as pessoas com mais de 60 anos. O União Informa traz ainda matérias sobre o nascimento do bairro, alunos de outros municípios que enfrentam dificuldades para estudar na Faculdade Atual, da aldeia para cidade – milhares de indígenas abandonam as comunidades onde nasceram e vem para cidade a procura de melhores condições de vida.

O jornal tem doze páginas, circulação mensal, no formato tablóide, capa e contra capa colorida, e impressão de responsabilidade da Folha Boa Vista. Os focos das reportagens são dos bairros próximos a faculdade. O impresso é uma produção da primeira turma de jornalismo da Faculdade Atual da Amazônia, fazendo parte da disciplina Oficina de Texto II sob a orientação do professor Edgar Borges.


quarta-feira, setembro 03, 2008

E a vida?



Para não dizer que tudo tá igual, chuviscou agora há pouco. Bem pouco, apenas o suficiente para mostrar que até para o mundo acabar precisar dar uma refrescada.

Dona Maria José, minha vó fonte de informaçoes sobre o passado de Boa Vista, me conta:

- Ainda não estamos no mês quente. O calor vai chegar em outubro. Antigamente ainda chovia muito em setembro, mas agora eu não sei como estão as coisas. Mudou tudo, né?

Como assim, vó? Ainda vai ficar mais quente? Daí relembro que ainda virá um mês em que não venta na cidade. As folhas ficam paradas, o calor aumenta por 10 e a sensação é de asfixia.

Ou seja, o mundo vai acabar e tudo vai começar por aqui.


E a história do 3 de setembro?

"Este dia não está nas listas de história, ninguém se lembra dele ou lhe dá o devido valor, mas é muito importante para que Universidade Federal de Roraima seja o que é, pelo menos no lado positivo".

A frase, sem nenhuma ponta de vaidade mas sim de quem acredita que trabalhou por uma educaçaõ melhor para todos, é de meu amigo químico-guitarrista-compositor Rhayder Abensour, que lembra o 3 de setembro de 1998, quando ganhamos a eleição do Diretório Central dos Estudantes. Éramos da chapa Acontecer, que tinha como componentes André Vasconcelos (jornalista), Adelaide Moura (médica), Dorinha Leal (professora de Letras), Érica Figueredo (jornalista) e outros que saíram logo em seguida e por isso não me lembro deles.

Minha função? Diretor de comunicação. Era fácil demais. Tínhamos uma reitoria que não fazia nada para melhorar a estrutura, conhecíamos todo mundo na imprensa, éramos (quer dizer, eles eram) simpáticos e conseguíamos mobilizar o povo rapidamente.


Ocupamos a reitoria; brigamos com os adversários; coordenamos assembléias e assembléias; conseguimos o malocão do campus, à época abandonado, para o DCE; promovemos festas, exposições, ajudamos a formar os Centros Acadêmicos de vários cursos e a fortalecer outros tantos.

O mais importante de tudo, porém, foi ter registrado o DCE no cartório. Outras gestões já haviam passado pelo diretório mas não haviam feito isso. Com a turma do Acontecer, o DCE da Federal de Roraima passou a existir de fato e de direito.

Foi um tempo divertido. Trabalhoso, mas divertido.

Pena que o único que conseguia namorar as meninas bonitas ou mais chegadas no movimento político estudantil era o presidente do DCE.

segunda-feira, setembro 01, 2008

Vista de setembro

Boa Vista no termômetro: temperatura mínima de 24º, máxima de 35º.

Boa Vista sentida na pele: ardência, queimação, suor, muito calor, muito acima de 35º.

Boa Vista na mente: cansaço, desejo de chuva, tropical.

Boa Vista vista com óculos: dia ofuscante, miragens no asfalto, olhos a fechar.

Boa Vista, quente Boa Vista: noites sem vento, pele grudenta à la Manaus, chão queimando, sol impiedoso.

Boa Vista das praças: vazias de dia, cheias à noite.

Boa Vista, Roraima: chuva? Só em 2009.

Boa? Só a vista, pois o calor...